Magazine Risco Zero nº19

magazine risco zero Usando o atual cliché, começaria por referir que vivemos tempos incertos. A todos os níveis paira no ar a incerteza e a necessidade de reajuste ao que agora chamamos de novo normal. A pandemia veio recordar-nos que o ser humano sendo a espécie racional “dominante” no planeta terra não é, no entanto, por si só o seu dono, nem tão pouco parece ser o seu melhor guardião. Da economia à ciência, passando pela sociedade, religiões, politicas, tecnologias, saúde e bem-estar e tantas outras áreas do conhecimento e da ciência, em todas encontramos uma forte “pegada” do ser humano, a qual normalmente é o fator desencadeante, direto ou indireto, daquilo que globalmente se passa no planeta terra, desde a poluição do meio ambiente às catástrofes climáticas, à falta de sustentabilidade, aos dramas sociais e até mesmo o surgimento de doenças na espécie humana que “migraram” de outras espécies ou ambientes agora mais explorados e expostos. Esta é obviamente uma abordagem superficial e talvez ingénua, mas que a atual pandemia fez com que muitos passassem a estar mais conscientes da mesma. Nunca antes o apoio económico, social, científico e tecnológico foi tão solicitado e necessário quanto na gestão desta pandemia, ao ponto de em tempo recorde se ter conseguido em diferentes centros científicos e tecnológicos criar, testar, certificar e colocar à disposição diferentes vacinas. Esta é mais uma arma no combate à pandemia, mas não é por si só a solução ou a resolução a curto prazo, exigirá de todos os países outros esforços, engenhos e sinergias em diferentes áreas. A vacina é, não só a esperança para o inicio do fim desta pandemia, mas também, a esperança depositada na capacidade da sociedade pela tecnologia e pela ciência de se reinventar e encontrar no futuro próximo e de forma continuada soluções que, se não capazes de reverter as atuais dificuldades, pelo menos possam diminuir ou parar tantos outros processos globais que jogam contra o próprio bem-estar e saúde do ser humano. Se fizermos agora o exercício de olharmos para o sector da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST), numa visão holística, portanto multidisciplinar, englobando as diferentes áreas do saber, da medicina e enfermagem à engenharia, passando pela psicologia, pela ergonomia, pela sociedade e pela politica e se a isso tomarmos como premissa que o trabalho é parte integrante das nossas vidas e do nosso dia a dia, percebemos então que esta área ganha nos dias de hoje ainda mais relevância e importância para a saúde e bem-estar e para a economia. E que, por isso, tem também uma palavra a dar na implementação das medidas de biossegurança. Em Angola a SHST é certificada e regulamentada pelo Centro de Segurança e Saúde no Trabalho (CSST), serviço publico da tutela do Ministério da Administração Pública do Trabalho e da Segurança Social (MAPTSS), que apenas ficou constituído em 2010. Comecei a conhecer o CSST em finais de 2012 e desde logo percebi a tarefa hercúlea de implementar e regulamentar em Angola esta área de acordo com as normas internacionais, logo começando pela divulgação, informação, formação, prestação dos serviços de medicina do trabalho entre outros. Ao longo destes últimos 7 anos pude acompanhar de perto o trajeto do CSST, tive a oportunidade de à semelhança de tantas outras empresas e instituições estabelecer protocolos de parceria, cujo exemplo de fruto mais conhecido é a própria revista em que eu agora vos escrevo, a Magazine Risco Zero (MRZ). Tenho tido pela NWA uma relação profissional próxima com o CSST e tive ao longo destes anos o privilegio de ficar amigo da sua Diretora, a Dr.ª Isabel Cardoso, assisti e/ou participei em inúmeras atividades da instituição, acompanhei o seu crescimento, a sua restruturação, as alterações regulamentares e de certificação, as dificuldades e as exigências naturais de uma entidade jovem como o CSST, e sempre e em tudo vi a presença, empenho, dedicação e perseverança da sua líder, com muitas vitórias e também algumas batalhas perdidas, mas sempre com o avanço e melhoria da instituição e o reconhecimento de todos, mas também vi uma lider com um lado humano e social muito presente, certamente como todos nós uma pessoa com virtudes e defeitos, mas com princípios, valores e atitudes que me marcaram positivamente. O seu falecimento foi naturalmente uma noticia muito triste, pessoal e profissionalmente, sendo que tinha tanto para dar e fazer. Recordo-me, por exemplo, do dia em que falámos pela primeira vez sobre a criação de uma revista de SHST, apresentou-me a ideia do projeto já com nome definido, Magazine Risco Zero, e logo ali percebi o entusiasmo e otimismo na sua implementação, pelo que de Mensagem da NWA

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