Magazine Risco Zero nº18
/5 EDITORIAL Dr. Paulo Vaz Guimarães Numa breve pesquisa na internet, podemos constatar que a EU-OSHA (Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho) a propósito desta nova era que vivemos de circunstâncias pandémicas excepcionais, refere no seu web site em Abril deste ano 5 documentos para refle- xão sobre os riscos mais elevados de exposição a agentes biológicos nas profissões de sectores como: “relacionadas com animais; gestão de resíduos e tratamento de águas residuais; explora- ção agrícola; empregos que envolvem viagens e contacto com viajantes; e cuidados de saúde.” Da leitura desses documentos temos acesso às conclusões de estudos que visam colmatar o dé- fice de conhecimento nesta área no local de trabalho e os respetivos efeitos na saúde, fornecendo recomendações para a sua prevenção mais eficaz. Nunca este tema dos riscos biológicos esteve tão em voga ou pelo menos de uma forma tão transversal a nível mundial como nesta fase que atravessamos da pandemia SARS-CoV-2 que provoca a doença designada pela OMS por COVID-19. Convém por isso relembrar o leitor que são considerados agentes biológicos, os microrganismos (bactérias e afins, vírus, parasitas, fungos) incluindo os organismos geneticamente modificados, as culturas de células e os endoparasitas humanos e outros suscetíveis de provocar infecçes, alergias ou intoxicaçes. No Trabalho são várias as atividades profissionais que favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública, laboratórios, etc. São necessárias medidas preventivas para que as condições de higiene e segurança nos diversos sectores de trabalho sejam adequadas. A protecço dos trabalhadores baseia-se fundamentalmente na ava- liação dos riscos de exposição, os quais são determinados, por um lado pelas características dos agentes envolvidos na actividade e por outro, pela adequação das instalações, equipamentos e práticas de trabalho. Mesmo antes desta pandemia já estas medidas preventivas estavam devidamente definidas e habitualmente aplicadas nas empresas e instituições, mas a presente realidade veio trazer mais procedimentos e processos para mitigar os riscos mas agora de forma transversal em todos os sectores do trabalho e geograficamente de forma quase global, começando desde logo pelas quarentenas, os isolamentos sociais voluntários entre outros. Profissões que antes não eram con- sideradas como expostas ao risco agora vêm-se também obrigadas a implementar medidas pre- ventivas ou de mitigação de riscos, a começar pelas mais simples como lavagem frequente das mãos, uso de máscara, uso de gel de base alcoólica, distanciamento social entre outras. Todos estamos relacionados com o risco e todos estamos na mesma luta pela diminuição da transmis- são desta doença, quer seja no trabalho quer seja nas nossas casas e com os nossos familiares. Estas alterações globais acarretam modificações de hábitos e rotinas em toda a sociedade e claro, no meio laboral. Um exemplo simples dessas alterações é a passagem de muitos trabalha- dores do seu trabalho presencial no escritório ou instalações de produção para o chamado tele- trabalho, implicando desafios sociais, económicos, estruturais e de gestão que merecem a nossa reflexão e a das instituições como a EU-OSHA para uma mudança de mindset nos empregados e nos empregadores para uma visão mais actual em que trabalho deve ser visto como algo que se alcança e não como algum local onde se vai.
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