Magazine Risco Zero nº17

RISCOS PSICOSSOCIAIS COMO FACTOR DE ACIDENTE DE TRABALHO Eng. Helena Sunda ARTIGO DE OPINIÃO Ao longo das últimas décadas, têm-se verificado alterações nas condições de trabalho e novos riscos que estas trazem à saúde e bem-estar do trabalhador, como é o caso dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho (Leka & Kortum, 2008). A exposição a estes riscos afetam não só a produtividade das organizações em termos de performance, acidentes e ambiente de trabalho, como também a saúde do trabalhador a nível fisiológico, mental e psicológico. Os riscos psicossociais podem ser definidos como os riscos para a saúde física, mental e social, originados pelas condições de trabalho, fatores organizacionais e relacionais que podem interagir como funcionamentomental e bem-estar psicossocial dos trabalhadores (Gollac & Bodier, 2011). Deste modo, os riscos psicossociais surgem na interação entre o trabalho, o ambiente, a satisfação do trabalhador e as condições físicas da organização, englobando ainda as capacidades do trabalhador, as suas necessidades, cultura e situação pessoal fora do trabalho. Esses riscos, que estão relacionados com a forma como o trabalho é concebido, organizado e gerido, bem como com o seu contexto económico e social, contribuem, de forma significativa para a perda de qualidade de vida, causam sofrimento e incapacidade, aumentam o risco de exclusão social e amortalidade. São identificados como uma das grandes ameaças contemporâneas, para a saúde dos trabalhadores. As questões psicossociais do ambiente de trabalho têm assumido uma atenção crescente na sociedade contemporânea. A exposição laboral a factores psicossociais foi identificada como uma das causas mais relevantes no absentismo laboral, por razões de saúde e relaciona-se com problemas como sejam, doenças cardiovasculares, transtornos de saúde mental, alterações músculo-esqueléticas entre outras. Segundo a OIT, “os riscos psicossociais no trabalho consistem, por um lado, na interação entre o trabalho, o seu ambiente, a satisfação no trabalho e as condições físicas da organização; e, por outro, nas capacidades do trabalhador, nas suas necessidades, na sua cultura e na sua situação pessoal fora do trabalho; o que afinal, através das perceções e experiências, pode influir na saúde, no rendimento e na satisfação do trabalho.” magazine risco zero

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