Magazine Risco Zero nº16
/65 Os riscos psicossociais podem ser definidos como “os riscos para a saúde mental, física e social, originados pelas condições de trabalho e por fatores organizacionais e relacionais” (Pinho, 2015). Resultam da interação entre o trabalhador, as condições de vida no trabalho e as condições de vida fora do trabalho, sendo suscetíveis de influenciar a saúde, segurança e bem-estar do trabalhador, com eventuais repercussões na produtividade e na satisfação (DGS, 2010) . Estão intimamente associados ao stresse ocupacional, mas também à violência, ao assédio e à intimidação. Segundo Cox e Griffiths, citados por Sacadura-Leite e Uva, os riscos psicossociais “têm potencial para causar efeitos adversos físicos ou psicológicos na saúde dos trabalhadores, através da experiência de stresse” (Leite & Uva, 2010). O stresse é, no contexto de trabalho, um dos pilares mais forte dos riscos psicossociais. O stresse ocupacional, também designado como “stresse profissional” ou “stresse relacionado com o trabalho,” traduz “uma consequência da desarmonia (ou desequilíbrio) entre as exigências do trabalho e as capacidades (e recursos ou necessidades) do trabalhador” (Leite & Uva, 2010). Representa “uma interação das condições de trabalho com as características do trabalhador, em que as exigências do trabalho excedem a capacidade do trabalhador para lidar com elas” (ACT, 2015). Ao longo das últimas décadas, têm ocorrido mudanças significativas no mundo do trabalho com implicações diretas ao nível da segurança e saúde dos trabalhadores. De acordo com Christophe Dejours, três ferramentas de gestão estiveram na base desta transformação radical: “a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, nomeadamente a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário” (Dejours, 2010) . O nível de exigência física e psicológica que tem dominado o ambiente laboral veio assim favorecer a ocorrência de efeitos negativos para a saúde dos trabalhadores e condicionar a emergência de novas formas de risco profissional, com destaque para os riscos psicossociais. Atualmente, “os riscos psicossociais e o stresse no trabalho estão entre as preocupações que maiores desafios comportam, em termos de saúde e segurança no trabalho” (CE, 2017). Entre as consequências mais comuns do stresse ocupacional, está incluído “um amplo leque de patologias físicas e mentais e até mesmo a morte” (CE, 2002). A literatura sobre O problema do stresse ocupacional, pela sua magnitude e transcendência, é já considerado um verdadeiro problema de saúde pública. De acordo com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), é o segundo problema de saúde reportado com mais frequência na Europa, logo a seguir às perturbações músculo-esqueléticas. Afeta cerca de 40 milhões de trabalhadores na EU e estima-se que seja responsável por cerca de 50 a 60% de todos os dias de trabalho perdidos (EU-OSHA, 2017). Um cálculo aproximado dos custos causados pelo stresse ocupacional aponta para os 20 mil milhões de euros anuais (CE, 2002). Num comunicado da Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, cerca de 51% dos trabalhadores europeus referem que o stresse no seu trabalho é comum e 41% consideram que existe má gestão do mesmo. Em Portugal, os números relatados foram de 59% e 62% respetivamente (EU-OSHA, 2013). Quanto às causas, entre as mais apontadas pelos trabalhadores portugueses, encontra-se a reorganização do trabalho, insegurança no vínculo laboral e as horas de trabalho ou carga de trabalho, bem como a falta de apoio por parte dos colegas ou superiores (EU-OSHA, 2013).
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