Magazine Risco Zero nº16

/5 EDITORIAL Dr. Paulo Vaz Guimarães A prevenção dos riscos profissionais e a promoção das condições mais seguras e saudáveis nos locais de trabalho são essenciais para melhorar a qualidade do emprego, o bem-estar no local de trabalho, a competitividade das empresas. Manter os trabalhadores saudáveis tem um impacto positivo directo e quantificável na produtividade e na saúde do trabalhador. As empresas sabem disso e através dos seus departamentos responsáveis pelo seu maior activo, o capital humano, com o apoio e incentivo dos seus órgãos de gestão procuram satisfazer essa necessidade com o desenvolvimento de programas de responsabilidade social e com politicas de governação corporativa foca- das nestes temas. Cada empresa implementa o seu programa na sua visão interna e externa do mercado em que se insere, atribuindo-lhes diferentes nomes e diferentes formas de execução mas todas com o mesmo objectivo final, a melhoria da qualidade de vida e bem-estar dos seus trabalhadores. As empresas vêm o investimento no bem-estar dos funcionários não só como uma questão de reduzir os custos com saúde, como também uma forma de melhorar a produtividade e desempenho financeiro. Esta análise está num estudo publicado pela consultora Deloitte, que ouviu 11 mil líderes de RH e de negócios de empresas de 30 países - "Tendências Globais de Capital Humano de 2018 – A ascensão da empresa social". Pareceu-me adequado trazer alguns destes dados para este editorial, que nos podem fazer pensar e ter uma visão mais holística, mais in- ternacional desta matéria. O estudo revela que 43% das empresas acreditam que programas de bem-estar ofereci- dos ajudam a reforçar sua missão e visão; 60% acreditam que eles ajudam a reter funcionários e 61% afirmam que melhoram a produtividade e os resultados financeiros. Na mesma publicação, um número crescente de empresas no mundo repensa os seus programas de recompensas e desenvolvimento dos funcionários, procurando ações que propiciem maior bem-estar. Interessante perceber que 92% dos 11.000 executivos apontaram a atenção com o bem-estar como uma questão importante para as suas atividades profissionais no futuro. A OSHA Europa numa das suas publicações recentes dá como exemplo da diversidade de programas, um imple- mentado pela Mars, na Polónia, a qual oferece um programa com diversas componentes que inclui a avaliação exaustiva do estado de saúde e do estilo de vida de cada trabalhador, propõe diversas etapas para aprender a viver de forma saudável e a acompanhar os progressos, e, por ultimo, incentiva os trabalhadores a divulgar os ensina- mentos adquiridos e a informar as pessoas que fazem parte das suas comunidades. Outras empresas são também citadas, a Magiar Telecom, na Hungria, organiza noites de cinema para informar e debater temas que provocam stress, deficiências, violência, problemas mentais entre outros relacionados com o trabalho e a comunidade. Uma das principais mensagens que se retiram destes estudos e destes programas aplicados pelas empresas é que as pessoas, isto é, os trabalhadores, esperam empresas mais responsáveis, mais conscientes e mais consequentes. Não podemos claro esquecer o enquadramento de cada empresa, isto é, a componente social, económica, polí- tica, geográfica e de desenvolvimento que o pais ou países em que se encontra a laborar possui. Naturalmente o enquadramento das empresas angolanas é especifico e exige adaptações e considerações próprias, mas pode e deve beber nestes estudos e nestes exemplos práticos, é necessário ter uma estratégia definida e um plano de actuação traçado. Executar este plano de acção vai depender da política definida por cada empresa, sendo que na minha óptica o mesmo pode ser desenvolvido em Angola tendo por base 4 pilares fundamentais, dois de obriga- toriedade legal: a implementação dos serviços de SHST e a execução da Medicina do trabalho. Os outros dois são da esfera da responsabilidade social da empresa e das recomendações do que são as boas práticas. Neste âmbito estamos a falar na implementação de postos de saúde no trabalho dentro da empresa (por serviços externos) e por sua vez implementação de um programa interno de desenvolvimento da qualidade de vida e bem-estar na empresa, perfeitamente adaptado à sua realidade e enquadramento. Esta perspectiva é exequível e pode ser uma forma de fazer o kick off para esta temática.

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