Magazine Risco Zero nº16
magazine risco zero Dr. A. Costa Tavares QUALIDADE DE VIDA E BEM-ESTAR NO TRABALHO ARTIGO TÉCNICO Um ser humano na idade adulta passa, em média, um terço da vida a trabalhar. Os restantes dois terços dividem-se entre o tempo para descansar, comer e dormir e o outro nas amplitudes casa – trabalho – compras – filhos – escola, etc. Mas centremo-nos no um terço desempenhado na atividade laboral, sem nos esquecermos que os outros dois terços têm influência e são influenciados pelo primeiro. Trabalhar não tem de ser necessariamente encarado como um esforço. Se efetivamente gostarmos da função que desempenhamos e simultaneamente tivermos os meios para a realizar de forma equilibrada, sustentável e profissional, claramente motivamo-nos e consequentemente ficamos mais saudáveis, quer fisicamente, quer psicologicamente. A juntar a esta cadeia, o aumento da produtividade assume-se como um vetor quase natural. Nunca este tema da qualidade de vida no local de trabalho foi tão abordado como nos dias de hoje. Os gestores de recursos humanos estão conscientes que a aposta nesta vertente dá frutos com ganhos recíprocos para todos os atores envolvidos: administração, dirigentes, chefias e trabalhadores. O investimento (e não custo como muitas vezes alguns “patrões” ainda o referem) no bem-estar dos seus trabalhadores, comporta no futuro efeitos positivos como uma maior vinculação psicológica e emocional para com a organização e um aumento do comprometimento profissional. Para que tal aconteça, existe um grande número de fatores a montante que contribuem para o bem-estar como as condições de trabalho, para não falar na política remuneratória, promocional, social, avaliação, reconhecimento superior, comunicação, entre outras. Mas centremo-nos na vertente CONDIÇÕES DE TRABALHO. Estas dão aos profissionais da segurança e saúde no trabalho um campo discricionário de ação que as restantes dificilmente fornecem, uma vez que, estão condicionadas por legislação ou orçamentos limitativos. Para uma melhor e eficiente promoção das CONDIÇÕES DE TRABALHO a gestão dos riscos profissionais contribui para corrigir anomalias que em última instância poderiam resultar em acidentes graves ou mortais para os trabalhadores. Uma organização que secundarize este patamar está a contribuir para o surgimento de incidentes, acidentes, doenças profissionais ou outras doenças relacionadas com o trabalho. Os riscos podem ser desde físicos, mecânicos, químicos, psicossociais e riscos relativos à própria atividade laboral. O trabalhador pode estar exposto a um fator de risco profissional por diversas vias: respiratória (inalação), digestiva (ingestão), dérmica (contato), auditiva (audição), ocular (“contato” visual), sendo que a exposição profissional depende, entre outros que, irão diminuir a médio e longo prazo a QUALIDADE DE VIDA NO LOCAL DE TRABALHO. Se do ponto de vista técnico (segurança) abordamos a gestão do risco profissional, do ponto de vista médico a vigilância da saúde dos trabalhadores deve ser efetuada de forma contínua e em função das exigências do trabalho e dos fatores de risco profissional a que um dado trabalhador se encontra exposto, devendo igualmente haver por parte dos profissionais de saúde o enquadramento no local de trabalho, visitando e acompanhando esse(s) trabalhador(es) bem como ter em consideração a repercussão destes fatores na saúde do(s) mesmo(s).
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