Magazine Risco Zero nº16
doença, observando-se de modo geral, espessamentos dos septos inter e intra-lobares na periferia do pulmão, estrias parenquimatosas estendendo-se entre a pleura e o pulmão, aspetos em “favo de mel”, atelectasias discais e densidades parenquimatosas subpleurais (5). Em cerca de 10% dos indivíduos com asbestose histologicamente comprovada, a radiografia torácica é normal. O diagnóstico patológico de asbestose nem sempre é obtido, mas exige a prova da presença de uma doença pulmonar intersticial com corpos de amianto em tecido humano (dois ou mais por cm2 por campo microscópico) (6). A exposição ao amianto é geralmente referida em termos de dose total ou cumulativa. A dose final é resultante do tempo de exposição (em anos) e da intensidade da exposição, tal como definido pela concentração média de fibras por centímetro cúbico (f/cm3) de ar do local de trabalho. Somente as fibras superiores a 5 μ m de comprimento são contadas. Assim, um indivíduo exposto a duas fibras/cm3 durante dez anos, teria uma exposição total de 20 fibras/ano/cm3 (1). Os critérios do Relatório do Consenso de Helsínquia afirmam que a asbestose "pode ocorrer" com exposições na ordem de 25 fibras/ano/cm3. Não há nenhuma evidência convincente de que a asbestose ocorra com exposições inferiores a dez fibras/ano/cm3 (1, 3). O estudo funcional respiratório revela habitualmente alterações similares às de outras pneumoconioses: síndroma restritiva e diminuição da capacidade de difusão. A presença de espessamento pleural difuso ou em placas em trabalhadores expostos é frequente e não significa necessariamente a coexistência de asbestose. Por vezes, pode também ser observado derrame pleural, que, nem sempre é de etiologia tumoral. Preocupação acrescida é a de desenvolvimento de patologia oncológica (e que em grande parte motivou a sua proibição em muitos países): o amianto é um dos riscos ocupacionais mais minuciosamente caracterizados e investigados, quer no que toca à etiologia do cancro do pulmão quer da pleura (mesotelioma pleural) (7). Globalmente, a cada ano, cercade 125milhões depessoas ainda estão expostas ocupacionalmente ao amianto (8). Exposição por inalação, e em menor extensão, por ingestão, ocorre na mineração e na moagem de amianto (ou outros minerais contaminados com amianto), no fabrico ou na utilização de produtos que contenham amianto, na construção, na indústria automóvel, nas atividades de remoção de amianto (incluindo o transporte e eliminação de resíduos contendo estas fibras) (9). A associação entre a exposição ao amianto e o risco de cancro de pulmão é basicamente linear, exceto em exposições muito Professor Doutor António Jorge Ferreira × Professor Auxiliar de Epidemiologia e Medicina Preventiva da Fa- culdade de Medicina da Universidade de Coimbra. × Especialista em Medicina do Trabalho. Especialista em Pneumo- logia. Assistente hospitalar graduado de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (Hospitais da Universidade de Coimbra), onde é responsável pela consulta de Doenças Respirató- rias Profissionais desde 2004. × Mestre em Saúde Ocupacional e Doutorado em Medicina Preven- tiva e Comunitária pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde é atualmente coordenador do Curso de Pós-gradua- ção em Medicina do Trabalho e do Mestrado em Saúde Ocupacio- nal.” × Diretor do Gabinete de Estudos Avançados da Faculdade de Medi- cina da Universidade de Coimbra elevadas. Muitos estudos demonstram que o risco relativo para cancro de pulmão aumenta entre 1% e 4% por fibra-ano/ mL de exposição, correspondendo a uma duplicação do risco nos valores de 25-100 fibras-ano/mL. No entanto, um estudo de elevada qualidade mostrou uma duplicação do risco com valores de exposição de apenas cerca de 4 fibras-ano/mL. O tipo histológico e a localização do cancro do pulmão não são úteis na diferenciação de outros cancros de pulmão não induzidos pelo amianto. A presença de placas pleurais, corpos de amianto ou fibras de amianto são úteis como marcadores de exposição prévia. Todos os tipos de amianto estão potencialmente associados com cancro de pulmão. Por outro lado, relativamente ao risco oncológico pulmonar, a interação entre o amianto e o tabagismo apresenta caraterísticas que o situa entre aditivo e o multiplicativo (10). O mesotelioma pleural é um tumor raro e muito letal que ocorre nas células mesoteliais que recobrem a membrana pleural. Os casos que não estão associados a exposição ocupacional ou ambiental a amianto são raríssimos. Referências bibliográficas: http://bit.ly/2NTCGDa /25
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