Magazine Risco Zero Nº 14
magazine risco zero Gostas que eles frequentem a escola? Eu gosto muito. E eles também gostam. Dizem-me sempre que é bom quando o professor os manda ir ao quadro lerem as letras. É bom para eles aprenderem a ler e a escrever. Já sabem o “A, E, I, O, U” e o alfabeto. Quais são as tuas perspectivas em relação ao percurso es- colar deles? Eu gostava que fosse até eles terminarem a faculdade, para terem uma vida melhor, poderem, talvez, ir viver para a Ga- bela, para o Sumbe ou até mesmo para Luanda. Mas aqui é difícil. Porquê? Por causa do dinheiro não temos dinheiro e é longe. A Uni- versidade mais próxima é na Gabela, têm que apanhar táxi. Conhece pessoas da tua comuna que tenham feito a fa- culdade? Conheço quem tenha saído daqui do Ébo para estudar na universidade e agora estão bem, têm emprego, vivem na Ga- bela conseguiram sair do Ébo e a vida deles está a melhorar. Mudando agora para outro assunto, saúde, quem foi a úl- tima pessoa a ficar doente em sua casa e onde recebeu assistência médica? Fui mesmo eu. Fui para o hospital aqui do Ébo com proble- mas de reumatismo e tifo. Na minha casa quando alguém tem febre vai ao hospital. A pracinha da Zélia. E na sua comuna, não costumam recorrer à medicina tra- dicional? Sim, recorrem muito, mas na minha casa vamos todos ao hospital. A minha mãe não conhece esses medicamentos do capim. Mas as pessoas na comuna preferem o tradicional. Qual é para si a importância do acesso fácil a um posto de saúde? Se for mais perto consigo ser melhor tratada, não tenho que gastar tanto tempo para chegar, chego mais rápido. Agora algumas perguntas rápidas sobre a Zélia… O que gosta de fazer no seu dia-a-dia? Gosto de vender. Só gosto de trabalhar, não gosto de fazer mais nada, só trabalhar. Quando o autocarro parou, a Zélia arregalou os olhos e a entrevista teve que parar para ir vender.
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