Magazine Risco Zero Nº 14

/5 EDITORIAL Dra. Sílvia da Silva A história do nosso país mostra que o contributo da mulher rural remonta aos primórdios da nossa história como um povo e o seu papel na luta pela libertação foi de extrema importância. Assim, nos dias actuais não é diferente; a mulher assume um papel inquestionável no seio da sociedade angolana, dedicando-se em todas actividades da vida social, inclusive na agricultura familiar, sendo esta a principal actividade da mulher rural. Segundo Alan Bojanic, ex representante da FAO no Brasil, as mulheres rurais contribuem com a produção de mais da metade das necessidades alimentares mundial. Estas mulheres são a maio- ria significativa deste sector, sendo indiscutível e fundamental a sua contribuição na produção agrícola. A mulher rural está relacionada, sobretudo com as características do lugar onde vive, que por norma apresenta uma condição de vida precária, diferente e distante da zona urbana, pois, tem pouco ou sem acesso aos serviços básicos como a saúde, a educação, a electricidade, entre outros. As actividades exercidas por elas servem apenas para a subsistência. Contudo, não há como ne- gar o facto de que muitas famílias são sustentadas pelo trabalho destas mulheres, tanto é que por via da produção agrícola elas conseguem sustentar os seus familiares. As mulheres rurais angolanas têm dado provas de que podem conduzir também no campo pro- gramas estruturais, ainda que de pequena extensão. Afinal, não é só com projectos agrícolas de grande porte que se faz crescer a economia de um País. O combate à pobreza passa por emanci- par e maximizar o trabalho exercido pela mulher de forma a se ter uma agricultura suficiente e sustentável. Após o término da guerra civil em Angola, o executivo deu início a um processo de elaboração e implementação de estratégias para combater a pobreza, onde a emancipação da mulher rural angolana está inclusa nesta estratégia. Criar melhores condições de trabalho ao invés de campanhas de doações é o caminho para a emancipação das mulheres rurais. E, com isso, é importante que os empresários estejam atentos a esses passos e actuem de modo eficaz, apoiando por via de incentivo estas actividades que já deram prova do seu rendimento. Angola exportava no passado muitos produtos do campo e naquela época a agricultura tinha um peso bastante considerável na economia do país. É possível voltarmos a exportar como no ritmo passado, para isso os projectos devem ser efectivamente implementados. Os projectos não podem ficar apenas pelas intenções. As mulheres rurais pela sua vitalidade e persistência na luta contra a pobreza, são um segmento de grande valia para o país. Todos somos co-responsáveis nestes projectos, pelo que devemos continuar a envidar esforços para que estas trabalhadoras do campo sejam valorizadas e apoiadas naquilo que for necessário.

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