Magazine Risco Zero Nº13

O trabalho é, de facto, influenciado não só pela sua maior ou menor (des) valorização pelas sociedades (e por quem traba- lha e por quem cria trabalho) mas por múltiplos outros aspetos como a macroeconomia, o desenvolvimento socioeconómico e cultural e, por exemplo, o nível (e o modelo) de industrializa- ção, para não falar dos modelos políticos de organização das sociedades. Como dizíamos anteriormente (Sousa-Uva e Serranheira, 2013), historicamente, o trabalho tem o seu étimo em “tripalium” (li- teralmente três paus, um instrumento de tortura utilizado na Roma antiga para prender pessoas e torturá-las). Há, conse- quentemente, na história do trabalho a sua associação a uma certa dimensão de penosidade e não a aspetos de conforto ou de bem-estar ou qualquer outra dimensão numa perspetiva po- sitiva. Nas últimas décadas o trabalho tem passado por uma profunda modificação caraterizada, designadamente, por grandes mu- danças tecnológicas e, igualmente, por grandes mudanças na distribuição dos trabalhadores pelos setores de atividade eco- nómica. Refira-se, a esse propósito, as tecnologias de informação e de comunicação e as suas profundas influências no mundo do tra- balho ou as novas formas de trabalho, como o teletrabalho ou os “novos” regimes de trabalho, como o “trabalho à peça”. Tais mudanças têm, naturalmente, repercussões nas suas interde- pendências com a saúde/doença e, consequentemente, nos as- petos da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), área científica que, no essencial do contexto destes apontamentos, se dedica à prevenção dos riscos profissionais centrados nos indivíduos ou no ambiente. Evolução histórica das interações trabalho/saú- de (doença) As práticas da saúde e segurança do trabalho, historicamente, podem ser sistematizadas em quatro grandes fases que já ante- riormente referíamos (Santos e Uva, 2009): • A Proto-Medicina do Trabalho, desde a Antiguidade até à segunda grande guerra; • A Medicina do Trabalho Clássica, desde a segunda grande guerra até à década de 1980; • A Nova Saúde Ocupacional, desde a década de 1980 até ao final do século; • E a Saúde e Segurança dos Trabalhadores, desde o início deste século. A primeira fase (a Proto-Medicina do Trabalho) é essencial- mente caracterizada pelos efeitos negativos que o trabalho tem na saúde da população trabalhadora e perspetivada essencial- mente através de ummodelo biomédico de análise. Até à Idade Média a “maquinaria” era muito escassa e a partir daí existe um grande incremento do transporte animal e a utili- zação das forças motrizes da água e do vento. Começa gradual- mente a aparecer, nas cidades, o trabalho artesanal com tendên- cia a concentrar-se geograficamente por profissão. É a época da manufatura, que antecede a era da “máquina”, muito alicerçada em relações mestre/aprendiz, onde por vezes se pagava para aprender um “ofício”. /67 LEIA O ARTIGO COMPLETO NA REVISTA 227 (SETEMBRO 2015)

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