Magazine Risco Zero Nº13

magazine risco zero No campo da saúde pública, há uma procura para que seja adotada uma dupla proteção nas práticas sexuais entre os jovens e adolescentes: • • Prevençãodagravidez indesejada, através doplaneamento familiar e uso de métodos contraceptivos; • • Prevenção das infeções sexualmente transmissíveis, especialmente o vírus da imunodeficiência humana (VIH), através do uso do preservativo. Enf. Verónica Silva ADOLESCÊNCIA , GRAVIDEZ PRECOCE E (DES )PROTECÇÃO ARTIGO PROFISSIONAL Adolescência é a fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Caracteriza-se por alterações em diversos níveis - físico, mental e social - e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papeis sociais do adulto. A OMS define adolescente como o indivíduo que se encontra entre os 10 e 19 anos de idade. Gravidez na adolescência A saúde reprodutiva (ou saúde sexual) é reconhecida como um direito na maioria dos países do mundo. Para a Organi- zação Mundial da Saúde (OMS), a saúde reprodutiva é a con- dição de bem-estar físico, mental e social relacionada com o sistema reprodutor. Por conseguinte, a saúde reprodutiva pro- move que as pessoas desfrutem de uma vida sexual satisfató- ria e segura e possam decidir se e quando querem ter filhos e com que frequência. Neste sentido, é um direito que assiste aos homens e às mulheres de estarem informados acerca do funcionamento dos seus próprios corpos e dos métodos anti- concepcionais existentes (ver imagem 1 ). A correta utilização dos métodos contraceptivos, no âmbito do planeamento fa- miliar é essencial para garantir que não ocorre uma gravidez não planeada. Foi noticiado pelo JORNAL DE ANGOLA o aumento dos ca- sos de gravidez precoce onde afirmavam o seguinte: “Mais de seis milhões de adolescentes no mundo engra- vidam de forma precoce e indesejada. Angola é um dos países onde houve um aumento crescente, em particular das adolescentes, entre os 11 e os 14 anos de idade. No caso de Luanda, crianças jovens dos 10 aos 14 anos de idade procuram cada vez mais os serviços de saúde materna (...)" Para os especialistas do sector, o tema representa um proble- ma de saúde pública, visto que o número tende a aumentar. Fala-se em gravidez precoce devido à imaturidade psicológi- ca e biológica das adolescentes. E neste sentido, há uma vasta literatura, sobretudo médica, que relaciona a gravidez nessa etapa da vida a diversos problemas tais como: mortalidade e baixo peso do neonato, eclâmpsia, mortalidade materna, en- tre outras complicações perinatais. Outra preocupação são os abortos realizados em locais ilícitos, onde as coisas acabam por correr mal e levam muitas vezes a consequências como a histerectomia (retirar o útero). Mas é preciso também ter em conta fatores como: nível socioeconómico, acesso a serviços de saúde, tempo de acompanhamento pré-natal, entre outros, que aplicam a vulnerabilidade desse grupo aos agravamentos de saúde. Há autores que defendem que tais complicações ocorrem somente devido à faixa etária ou, se por falta de in- formação, medo, preconceito ou vergonha, as jovens tentem esconder a gravidez e acabem por não realizar nenhum acom- panhamento pré-natal.

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